o CASTELO em PROCESSO de METAMORFOSE

A realização do sonho americano.

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Out of Leaves of grass

 

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With me with firm holding, yet haste, haste on.

For your life adhere to me,

(I may have to be persuaded many times before    [I consent to give

     myself really to you, but what of that?

Must not Nature be persuaded many times?)

 

No daint dolce affettuoso I,

Bearded, sun-burnt, gray-neck’d, forbidding, I [have arrived,

To be wrestled with as I pass for the solid [prizes of the universe,

For such I afford whoever can persevere [to win them.

 

(Walt Whitman)

Poema em linha reta

Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas [vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para [tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos [tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e [arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais [ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos [moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido [emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho [agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas [coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste [mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu [enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – [na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz [humana
Que confessasse não um pecado, mas [uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas [uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse [que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores [sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Auto-retrato português

Nesga humana dum grande mapa humano,
Aqui, ao ocidente e ao sol, dormito;
O manto do infinito
Veste-me a pequenez;
E o mar cerúleo, aberto à minha ilharga,
Alarga
O meu nirvana azul de português.

Rei que renunciou, cansado,
Ao ceptro da aflição,
Digo não,
Digo sim,
Com igual abandono…
Tão distante de mim
Como do trono…

Vivi antes da hora o que vivi.
E, agora, vegeto,
Feliz de nada ser,
De nada desejar,
E de nada sentir,
Agradecido ao mar de nunca me acordar,
E agradecido ao céu de sempre me cobrir.

MIGUEL TORGA